Economia do Brasil crescerá 7,1% em 2010, prevê FMI
Fundo pediu política 'cuidadosamente calibrada' para manter estabilidade.
Rápida recuperação do país acendeu um sinal de alerta dos técnicos.
A economia brasileira deve crescer 7,1% em 2010, anunciou nesta quinta-feira (5) o Fundo Monetário Internacional (FMI) que, no entanto, pediu às autoridades do país uma política "cuidadosamente calibrada" para manter a estabilidade macroeconômica e financeira.
"O sólido marco macroeconômico e a resposta oportuna das autoridades foram essenciais para conter os efeitos negativos da crise mundial", e agora a economia registrou um crescimento acumulado nos últimos quatro trimestres de 8,9%, indicou o Fundo em um comunicado.
Depois de uma visita ao Brasil, em julho, o FMI concluiu que a "pressão sobre os recursos cresceu e a política monetária tornou-se mais complicada ante sólidos fluxos de capital", ao mesmo tempo em que a taxa de desemprego alcançou o mínimo em uma década. O Fundo considera, em função disso, necessária, agora, "uma política cuidadosamente calibrada para preservar a estabilidade macroeconômica e financeira".
A recuperação do Brasil, que foi mais rápida e aconteceu mais cedo do que a maioria das economias, segundo o FMI, também acendeu um sinal de alerta dos técnicos, que advertem sobre a possibilidade de um reaquecimento da atividade.
Em maio, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse esperar que o crescimento do Brasil vá se estabilizando "porque não podemos ter uma sobreaquecimento da economia".
O FMI saudou nesta quarta-feira o compromisso do governo brasileiro de retirar parte dos incentivos fiscais a alguns produtos, ante o crescimento econômico.
O diretor do Fundo recomendou "continuar com os esforços para reduzir despesas" e restringir empréstimos concedidos pelo BNDES que constituem uma espécie de gasto fiscal. A política monetária deve manter-se ancorada na luta contra a inflação, ao mesmo tempo em que o regime flexível da taxa de juros que rendeu frutos ao país, indicou o FMI.
No futuro, "apesar de ser desejável para uma econonia altamente aberta como o Brasil manter reservas suficientes", o Fundo pediu para observar cuidadosamente as taxas de juros altas e os riscos de maior valorização da taxa de câmbio.
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